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Uma introdução ao tratamento do cancro da mama com a Medicina do Leste Asiático

Atualizado: 7 de nov. de 2023


outubro rosa

No tratamento do cancro da mama, a Medicina do Leste Asiático (MLA) recorre a diferentes modalidades, quer em combinação com a medicina convencional ou como terapia única (no tratamento paliativo).


Parece desempenhar um papel importante no aumento da taxa de sobrevivência e na qualidade de vida das pacientes com cancro da mama.


As substâncias naturais utilizadas na prescrição tradicional têm propriedades citotóxicas e reguladoras da imunidade. Há evidência de que a prescrição da farmacopeia tradicional possivelmente regula oncogenes e genes supressores de tumor, além de modificar a epigenética e o microambiente tumoral.


No caso da quimioterapia, pode aumentar significativamente a resposta tumoral e aliviar a toxicidade em pacientes com cancro da mama, quando combinada com a farmacopeia tradicional chinesa, em comparação com a quimioterapia apenas.


Globalmente, várias modalidades na MLA são investigadas há várias décadas e, particularmente desde a última década, são usadas em hospitais por todo o mundo, incluindo MDAnderson, Sloan Kettering, Fundação Champalimaud e outras instituições médicas em Portugal.

 

Na hipótese de uma intervenção com MLA, o primeiro passo será procurar saber o que espera, esclarecer de que forma uma ou várias das modalidades poderá corresponder à expectativa existente. É importante ainda gerar um contexto de mútua confiança onde seja possível realizar-se opções sensatas, fundamentadas, além de criar um espaço onde os medos possam também ser observados com distância q.b. e se possa tornar o processo menos doloroso, mais suportável - para o corpo e o coração (coração = mente).


É relevante sugerir que existem questões de ordem social e cultural que surgem de narrativas desapropriadas do significado de género. Não raras vezes, há uma expectativa baseada em perspetivas desatualizadas que merecem ser revistas.


Neste sentido, na MLA propomos que as restrições impostas às mulheres devido às expectativas da sociedade também as tornam mais expostas ao risco de doenças causadas por material emocional não resolvido nas suas vidas.


Ou não houvera uma relação bidirecional entre a imunidade e a esfera psicoemotiva.


Devo salientar que é impressionante o número de mulheres que vivem várias identidades no contexto de uma vida.


Podemos ver o processo como a manifestação de realidades mais amplas do recetivo e da nutrição, o lado Yin (interior, mais feminino, denso) da natureza que faz parte de todos nós (não importando o género).

Num sentido mais lato, é preciso falar da crise do recetivo na vida

do lado escuro e fecundo da montanha que contém as sementes da vida, do lado da escuta, do auto-cuidado, de assumir a responsabilidade de esperança e cura com coração aberto, citando Tai Lahans. Do poder positivo das trevas.


O tratamento envolve diferentes modalidades – como a acupuntura e outras terapias manuais, a prescrição de materia medica tradicional e fitoterapia moderna, assim como práticas corpo-mente, praticadas sob uma orientação ontológica própria.


Seja qual for a modalidade terapêutica, fazemos uma avaliação que inclua as diferentes áreas da vida da jovem – diagnósticos convencionais, intervenções terapêuticas realizadas, sintomas presentes e passados, incluindo efeitos adversos, hábitos alimentares, medicação ou produtos naturais que tome, etc.


Após uma avaliação dita holística e determinadas as modalidades terapêuticas mais adequadas, de acordo com a vontade da paciente - assim como uma avaliação de custos vs os benefícios, expõem-se as estratégias possíveis.


Pode incluir:

  • Sessões semanais de acupuntura combinada com fisioterapia para dor;

  • Prescrição de materia medica tradicional, junto com recomendações dietéticas

  • Recomendação de práticas corpo-mente como o Tai Chi ou Mindfulness, junto com consultas de psicologia, para suportar o equilíbrio psico-emocional

  • Ou, mesmo, em certas condições, uma biópsia líquida para determinar, com base na ação em células tumorais circulantes, substâncias naturais que possam ser mais citotóxicas ou suportem a imunidade.

Claro, por vezes, no encontro clínico, já se está numa curva de aprendizagem inclinada, e menos informação é “mais”. Menos estímulo com terapias manuais, prescrições mais simples, uma sugestão mais gradual de mudanças no estilo de vida, à partida.

 

Na visão contemporânea da MLA, em verdade, masculinidade e a feminilidade são da mesma montanha e um lado não pode existir sem o outro.

Mulheres – e homens, estão numa encruzilhada há já algum tempo: como viver atualizando a necessidade de uma vida individual e criativa de autorrealização e autotranscendência, justapostas com as outras necessidades impostas a todos nós (mas especialmente às do sexo feminino, para com a família e educação de filhos, as gerações futuras, nutrindo a teia social da humanidade).


Aprecio o interesse em incluir a Medicina do Leste Asiático, pela possibilidade que traz de suportar e humanizar o processo oncológico, oferecendo estratégias que ajudem a reintegrar as diferentes partes no corpo e mente da mulher que sofre do cancro da mama que estão divididas, desintegradas.



prevenção cancro da mama

Referências:


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Libing Zhu, Lingru Li, Yingshuai Li, Ji Wang, Qi Wang, "Chinese Herbal Medicine as an Adjunctive Therapy for Breast Cancer: A Systematic Review and Meta-Analysis", Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, vol. 2016, Article ID 9469276, 17 pages, 2016. https://doi.org/10.1155/2016/9469276


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